Primeiro de janeiro — noite fria no ar,
Subi no telhado sem medo de errar.
Zero e quatorze — ouvi o chão chamar,
Três metros abaixo, senti o corpo pesar.
Minha lombar no chão tocar,
Foram dias difíceis pra levantar,
Noite após noite tentando virar,
E a dor insistindo em me acompanhar.
Dez de janeiro, centro da cidade,
Onze e vinte marcando a realidade.
Sem carro, segui com simplicidade,
Patinete descendo com velocidade.
Um carro virou — brutalidade,
Veio sobre mim sem piedade.
Roda no asfalto, fatalidade,
Tela do celular quebrada, dura verdade.
Perna direita em tom roxo profundo,
Hematoma pesado, lento e fecundo.
Braço ferido, corte no fundo,
Tempo passando segundo a segundo.
Não foi acaso perdido no mundo,
Nem sorte girando em círculo imundo.
Havia um cuidado firme e oriundo
Do Criador presente, eterno e profundo.
Eu caí, mas não fiquei no chão,
Levantei com fé no coração.
Havia um Filho em minha missão,
Dependendo da minha direção.
Só era eu e ele na imensidão,
Pai e filho na mesma estação.
Entre dor, susto e superação,
Descobri força na oração.
Não foi sorte — foi proteção,
Não foi acaso — foi condução.
Entre queda e reconstrução,
Senti a divina sustentação.
Se o mundo trouxe colisão,
O céu trouxe consolação.
E hoje escrevo com gratidão: Eu não estava só — houve superação.

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