sábado, 28 de fevereiro de 2026

Entre Quedas

 


 

Primeiro de janeiro — noite fria no ar,

Subi no telhado sem medo de errar.

Zero e quatorze — ouvi o chão chamar,

Três metros abaixo, senti o corpo pesar.

Minha lombar no chão tocar,

Foram dias difíceis pra levantar,

Noite após noite tentando virar,

E a dor insistindo em me acompanhar.

 

Dez de janeiro, centro da cidade,

Onze e vinte marcando a realidade.

Sem carro, segui com simplicidade,

Patinete descendo com velocidade.

Um carro virou — brutalidade,

Veio sobre mim sem piedade.

Roda no asfalto, fatalidade,

Tela do celular quebrada, dura verdade.

 

Perna direita em tom roxo profundo,

Hematoma pesado, lento e fecundo.

Braço ferido, corte no fundo,

Tempo passando segundo a segundo.

Não foi acaso perdido no mundo,

Nem sorte girando em círculo imundo.

Havia um cuidado firme e oriundo

Do Criador presente, eterno e profundo.

 

Eu caí, mas não fiquei no chão,

Levantei com fé no coração.

Havia um Filho em minha missão,

Dependendo da minha direção.

Só era eu e ele na imensidão,

Pai e filho na mesma estação.

Entre dor, susto e superação,

Descobri força na oração.

 

Não foi sorte — foi proteção,

Não foi acaso — foi condução.

Entre queda e reconstrução,                                                      

Senti a divina sustentação.

Se o mundo trouxe colisão,

O céu trouxe consolação.

 E hoje escrevo com gratidão: Eu não estava só — houve superação.        

 


 

                     

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